João Delgado (publicado na revista SIM)A campanha em Braga começou desde cedo a ser conduzida pelo PS e pela coligação de direita numa disputa de território (a que se juntou Miguel Brito / MPT), com marcação à zona em cada rotunda e berma de estrada, num despropósito total, particularmente no contexto de crise em que vivemos.
Agora que já todos estes demonstraram o que valem em termos publicitários, é tempo de se começar a discutir o “produto”, ou seja, quais as propostas concretas para a gestão da cidade e do concelho nos próximos quatro anos.
E é nesse terreno, na discussão e debate público das estratégias de desenvolvimento de Braga, de combate a crise e aos seus efeitos, que o Bloco de Esquerda se quer colocar, reduzindo ao mínimo essencial o aparato cénico, que mais não faz do que juntar poluição visual à já sobrecarregada paisagem bracarense.
Importa pois discutir quais são as propostas dos diferentes partidos nas principais áreas de actuação camarária.
O que dizem sobre a política social da CMB? Apenas deve apoiar as IPSS, ou assumir as suas responsabilidades de coordenação?
Quais as obras que propõem para o futuro próximo? Continuar a endividar o município, ou apostar na requalificação e reabilitação urbana, sem ceder aos interesses especulativos dos promotores imobiliários?
Que política cultural? O Theatro Circo como jóia de uma inexistente coroa, ou um trabalho de fundo para a formação de públicos e o apoio aos promotores culturais?
Qual o destino dos serviços públicos (Agere, TUB)? Continuar na senda privatizadora, e como refúgios para reformas douradas, ou colocá-los ao serviço de todos e das políticas públicas?
Como nos movemos em Braga? Continuamos a privilegiar o automóvel, ou apostamos decididamente nos transportes públicos e nos modos suaves de locomoção?
Como resolver o problema dos bairros sociais? Pintar fachadas, ou promover uma intervenção integrada, que olhe não apenas para o edificado mas principalmente para as pessoas?
Como preservar o património histórico e cultural da cidade? Com políticas casuísticas e descoordenadas, ou considerando a memória como geradora de futuro?
E as freguesias rurais? Continuar a expulsar os residentes para instalação dos urbanos sequiosos de um retiro bucólico?
Estas são apenas algumas das questões que colocamos e colocaremos aos bracarenses e aos restantes partidos, porque só da resposta a elas pode existir um voto esclarecido que não siga a “banda a passar”.
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